Paro às vezes, de repente


Paro às vezes, de repente, entre a vida que vai e a que vem, /estagno à margem do decorrer/. E o assombro de tudo /esboroa-se sobre mim/.

Há outros momentos em que parece que o universo de repente representa mal e se trata [de] outros, em que pareço subitamente ouvir-lhe certa voz, de colher-lhe de relance outra naturalidade. Como um reposteiro que um vento toque e, num repente (...), entremostre um bocado irrevelado de qualquer desconhecida e inesperada coisa...


Título: Paro às vezes, de repente
Heterónimo: Vicente Guedes
Número: 229
Página: 205
Nota: [14(2)-14av, ms.];
Nota: Apenas Teresa Sobral Cunha inclui este texto no corpus do "Livro do Desassossego".
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