o grande Shakespeare que é toda a gente


o grande Shakespeare
que é toda a gente —
o Homero impessoal
que, como talvez o
proprio Homero, é
uma grande verdade
que não é ninguem
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A maior viagem que
se pode fazer é a de
circumnavegação,
que tem por fim
voltar ao mesmo
sitio.

Os mortos de [ileg.]
[ileg.] o abysmo
[ileg.]
[ileg.]
.

O maior emprego
da vontade é o do
imobilismo. O mais
certo é estar
absolutamente parado.


Não a ascese do Christo, que é o
egoismo transposto de[ileg.].
Não a ascese de negar que
illumina os Buddhas —
que essa vive com a luz
do amor humano, trans-
lato para uma expressão di-
vina. Não esse e não essa, mas
o enthusiasmo vulgar de negação
inteira, além do amor e do ódio,
do bem e do mal, da morte
e da vida, expressão
unica e inteira
do corpo abstracto do
abysmo sem ser.


Identificação: bn-acpc-e-e3-133d-1-100_0079_39-R0150 | bn-acpc-e-e3-133d-1-100_0082_39a-R0150
Heterónimo: Não atribuído
Formato: Folha (21.6cm X 14.0cm, 21.6cm X 14.0cm)
Material: Papel
Colunas: 1
LdoD Mark: Sem marca LdoD
Manuscrito (pencil) : Testemunho manuscrito a lápis.
Nota: , Texto escrito no recto de uma folha dobrada em bifólio. Apenas Teresa Sobral Cunha inclui este texto no corpus do "Livro do Desassossego". Texto retirado do corpus na edição de 2013.
Fac-símiles: BNP/E3, 133D-39-39a.1 , BNP/E3, 133D-39-39a.2
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