Jacinto do Prado Coelho

Teresa Sobral Cunha

Richard Zenith

Jerónimo Pizarro

Todo o homem de hoje



L; do D.

Todo o homem de hoje, em quem a estatura moral e o relevo intellectual não sejam de pygmeu ou de charro, ama, quando ama, com o amor romantico. O amor romantico é um producto extremo de seculos sobre seculos de influencia christan; e, tanto quanto á sua substancia, como quanto á sequencia do seu desenvolvimento, pode ser dado a conhecer a quem não o perceba comparando-o com uma veste, ou traje, que a alma ou a imaginação fabriquem para com elle vestir as creaturas, que accaso appareçam, e o espirito ache que lhes cabe.

Mas todo o trage, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em quem o vestimos.

O amor romantico, portanto, é um caminho de desillusão. Só o não é quando a desillusão, acceite desde o principio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas officinas da alma, novos trages, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por elles vestida.