Jacinto do Prado Coelho

Teresa Sobral Cunha

Richard Zenith

ANEXO | 166



                                                                      13-1-1920

Aos deuses uma cousa se agradeça:
O somno. A vida esqueça
Já que não pode 〈ser o que o desejo〉[↑ nunca ser feliz.]
Porisso, com um rito definido
Encostemos a fronte ao travesseiro
E deponhamos como ante um juiz
O nosso anseio derradeiro.

Sim, o somno, o socego, o não ser nada,
A morte 〈*mom〉[↑ sempre ansiada]
Cruzada um momento sem razão
No socego da fronte que repousa
Alheia a toda a cousa.
O apagamento, bem ou mal, de tudo.