Receção Crítica - Usa Jacinto do Prado Coelho(453)

Maximas


L. do D.

Maximas

Ter opiniões definidas e certas, instinctos, paixões e caracter fixo e conhecido – tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver é um doce e fluido estado de desconhecimento das cousas e de si proprio ( é o unico modo-de-vida que a um sábio convém e aquece ).

— Saber interpôr-se constantemente entre si-próprio e as cousas é o mais alto grau de sabedoria e prudencia.

— A nossa personalidade deve ser indevassavel, mesmo por nós-proprios: d'ahi o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos não seja possivel ter opiniões a nosso respeito.

E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadeza impar. O que desloca a vulgar saudação — como está — de ser uma indesculpável grosseria é o ser ella em geral absolutamente vã e insincera.

— Amar é cançar-se de estar só: é uma cobardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).

— Dar bons conselhos é insultar a faculdade de errar que Deus deu aos outros. E, de mais a mais, os actos alheios devem ter a vantagem de não serem também nossos. Apenas é comprehensivel que se peça conselhos aos outros — para saber bem, ao agir ao contrário, quem somos bem nós, bem em desaccordo com a Outragem.