Jacinto do Prado Coelho

Como nos dias em que trovoada



L. do D.

Como nos dias em que a trovoada se prepara e os ruidos da rua fallam alto com uma voz solitária.

A rua franzia-se de luz intensa e pallida e o negrume baço tremeu, de leste a oeste do mundo, com um estrondo feito de escangalhamentos echoantes... A tristeza dura da chuva bruta peorou o ar negro de intensidade feia. Frio, morno, quente — tudo ao mesmo tempo — o ar em toda a parte era errado. E, a seguir, pela ampla sala uma cunha de luz metallica abriu brecha nos repousos dos corpos humanos, e, com o sobressalto gelado, um pedregrulho de som bateu em toda a parte, esfacelando-se com silencio(s) duro(s). O som da chuva diminui como uma voz de menos peso. O ruido das ruas diminuiu angustiantemente. Nova luz, de um amarellado rappido, tolda o negrume surdo, mas houve agora uma respiração possivel antes que o punho[?] do som tremulo echoasse subito d'outro ponto; como uma despedida zangada, a trovoada começava a aqui não estar.

com um sussurro arrastado e findo, sem luz na luz que augmentava, o tremor da trovoada acalmava[?] nos largos longes — rodava[?] em Almada...

Uma subita luz formidavel estilhaça-se. [...] Tudo estacou. Os corações pararam um momento. Todos são pessoas muito sensiveis. O silencio atérra como se houvera morte. O som da chuva que augmenta, allivia como lagrimas de tudo. [?] Ha chumbo.

Teresa Sobral Cunha

Richard Zenith

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