Receção Crítica - Usa (BNP/E3, 114(1)-18v)

Marcha funebre


      Marcha funebre

Figuras hieraticas,
de hiearchias ignotas,
se alinham nos corre-
dores a esperar-te —
pajens de doçura frescura loura,
jovens de

em scintillares dispersos
de laminas nuas, em
reflexos irregulares de
capacetes e adornos
altos, em vislumbres sombrios
de ouro fosco e sedas.

Tudo quanto a imaginação
adoece, o que de funebre
doe nas pompas, e cança
nas victorias,


o mysticismo do nada, a ascese da
absoluta negação.

O Ganges passa tambem
pela Rua dos Douradores.
Todas as epocas estão
neste quarto estreito —
a mistura
a sucessão multicolor
das maneiras,
as distancias dos povos,
e a vasta variedade
das nações
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E alli, em extase
numa só rua, sei
esperar a Morte
entre gladios e
ameias.

Não os septe palmos de
terra fria que se fecham
sobre os olhos fechados
sob o sol quente e ao
lado da herva verde, mas a
morte que excede a
nossa vida e é uma
vida ella mesma — uma


morta presença em algum deus,
o ignoto deus da religião dos mesmos deuses.
que porventura os Deuses lembram.