O céu do estio prolongado


O céu do estio prolongado todos os dias dispertava
de azul verde baço, e breve se tornava de azul acinzentado
de branco mudo. No occidente, porém, era da côr que lhe cos-
tumam chamar, a elle todo.

Dizer a verdade, encontrar o que se espera, negar a
illusão de tudo — quantos o usam na subsi-
dencia e no declive, e como os nomes illustres man-
cham de maiusculas, como as de terras geographicas, as agu-
dezas das paginas sobrias e lidas!

Cosmorama de acontecer amanhã o que não poderia ter
succedido nunca! Lapiz-lazuli das emoções descontinuas!
Quantas memorias alberga uma supposição facticia, lembras-
te, visão sòmente? E num delirio intersticiado de certezas
leve, breve, suave, o murmurio da agua de todos os parques
nasce, emoção, do fundo da minha consciencia de mim. Sem
ninguem os bancos antigos, e as aleas alastram onde elles
estão a sua melancholia de arruamentos vazios.

Noite em Heliopolis! Noite em Heliopolis! Noite em
Heliopolis! Quem de dirá as palavras inuteis,
me compensará a sangue e indecisão?


Identificação: bn-acpc-e-e3-3-1-88_0055_28_t24-C-R0150
Heterónimo: Não atribuído
Formato: Folha (27.5cm X 21.4cm)
Material: Papel
Colunas: 1
LdoD Mark: Sem marca LdoD
Datiloscrito (blue-ink) : Testemunho datiloscrito a tinta azul.
Data: 1931 (low)
Nota: , Texto escrito no recto de uma folha inteira, com marca de água 'GRAHAMS BOND REGISTERED'.
Fac-símiles: BNP/E3, 3-28r.1